João Fabio Bertonha

fabiobertonha@hotmail.com

Notas soltas sobre um momento delicado.

Notas soltas sobre um momento delicado.

 

Olhando de longe, as coisas no Brasil parecem estar se radicalizando. Pensei em escrever um artigo maior para o site, mas vou esperar a semana que vem. Por dever de ofício, contudo, alguns pontos eu quero ressaltar.

1) O que vemos atualmente é a persistência das forças retrógradas no Ocidente todo e, especialmente, na América Latina e no Brasil. Pequenos avanços tem que ser combatidos e anulados, sempre.

2) Não me arrependo de ter apoiado a Dilma, como mal menor frente ao Aécio. Mas o PT tem se revelado bem longe do ideal e cada dia mais. A entrevista do Lincoln Secco na Carta Capital demonstra muito bem os erros, na mesma linha do que tenho escrito sempre. Um partido que quer ser tão moderado e paz e amor que parou de lutar por mudanças e até de se defender. E o pior, entrou na cartilha liberal, traindo os apoiadores em 2010 e 2014.

3)  Eu, como apoiador, posso continuar criticando o Partido e o governo, como sempre fiz. Mas a crítica da direita, do tipo “Odeio a Dilma porque ela está a fazer o que o meu candidato disse que faria” é de matar.

4) Impeachment não é instrumento para tirar quem vc não gosta do poder, mas para casos específicos, o que não se aplica a Dilma. Defender isso agora é golpismo puro. Não defendi o impeachment do Beto Richa e não defendo o da Dilma. Um governante eleito democraticamente tem o direito de sacanear os governados, trair os eleitores, etc. A resposta é briga (vide o movimento no PR) e votação na eleição seguinte.

5) Vejo o ciclo do PT chegando ao fim em 2018. O modelo teve sucessos enormes, mas falhou por excessiva moderação e medo e se esgotou. Se a alternativa é o PSDB, continuo apoiando o PT, mas um nova esquerda precisa surgir, dentro do PT (Haddad?) ou fora dele (Luciana Genro?), no Brasil.

6) Petrolão? A coisa é tão simples, na verdade. Se a investigação é justa (agora, está a proteger o PSDB, ao que me parece), prenda-se quem for preciso. Não importa o partido, delito é delito. Mas a seletividade de acusados e denunciados inviabiliza a coisa. E não esqueçamos que destruir a Petrobrás (de fato, com problemas imensos, mas longe de estar falida) e ganhar trilhões na sua privatização é a menina dos olhos da direita nacional e internacional hoje.

7) Financiamento público de campanha e coalizões baseadas em propostas, não em cargos. Seria um avanço imenso, democratizando as eleições e impedindo esse sistema de clientelismo político que envenena o poder. Mas não vai passar, até porque esse sistema interessa a todos os que estão lá. Grita-se contra a corrupção, entidade metafísica, mas ninguém faz o que precisa mesmo contra ela.

8) Rosa Luxemburgo escreveu sobre como as massas só aprendem vivenciando não apenas vitórias, mas também derrotas. Questionável se isso realmente acontece, mas talvez seja o caso agora. Talvez o PT e a esquerda nacionais precisem ser sacudidos no seu marasmo por derrotas e talvez a classe C ou mesmo a classe média precisem sofrer de verdade, na carne, para entenderem o que está em jogo. As vezes, derrotas não levam a lições e mudança de rumos, mas quem sabe não seja a única alternativa?

 

Esperemos. Esse final de semana vai ser um “tempo interessante”, como diria tio Hobsbawn

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Publicado em março 12, 2015 por .
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